
A tranquilidade dos dias que passam em MF, pequeno concelho localizado nas encostas junto ao rio Douro, esconde as dificuldades sentidas por muitos em arranjar emprego ou no comércio que contabiliza cada vez menos clientes.
É preciso domar muitas curvas apertadas para se conseguir entrar em Mesão Frio, o concelho mais pequeno do distrito de Vila Real que se estende pela mais antiga região demarcada do mundo - o Douro.
Aqui a atividade dominante é a agricultura e o turismo é encarado como uma espécie de tábua de salvação para resolver um dos maiores problemas do concelho: o desemprego.
Mesão Frio é apontado como um dos concelhos do país com uma das maiores taxas de desemprego (25 por cento). Os números revelam que a população ativa era de 1724 pessoas, em 2008, e que estão inscritas 444 pessoas no centro de emprego.
Os principais empregadores são a Câmara Municipal (149 funcionários) e a Santa Casa da Misericórdia (100), existindo ainda duas empresas de empreiteiros agrícolas que empregam algumas dezenas de pessoas.
Ana Maria Ferreira, 35 anos, está há seis meses sem emprego depois de ter fechado um café que explorava num concelho vizinho.
"Já não dava para pagar as despesas. Só de luz pagava por mês 100 euros", explicou.
Com um filho de 19 anos, também desempregado, Ana Maria garante que está à procura de emprego, mas que se sente preocupada com o futuro.
Muitos dos inscritos no centro de emprego aproveitaram para tirar cursos de formação. Até já há quem tenha cinco diplomas.
Anabela Santos, 35 anos, acabou o curso de mesa e bar em abril do ano passado e, segundo disse, até agora ainda não conseguiu arranjar um trabalho. Casada e com dois filhos, de seis e 16 anos, Anabela referiu que agora já não pode sair para o estrangeiro, para as campanhas do morango ou beterraba, como fazia antes da filha mais nova nascer.
Os receios desta família crescem porque, segundo referiu, já disseram ao marido, carpinteiro numa empresa de construção civil, que esta vai "fechar mais cedo ou mais tarde".
O desemprego da população soma-se à crise mundial e, por isso, o comércio do concelho também se ressente.
"As pessoas começam a fazer escolhas na hora de comprar os medicamentos. Escolhem os mais baratos ou os que precisam mais, pois sabem que o dinheiro já não chega para tudo, principalmente os mais idosos", referiu Nuno Reis, funcionário de uma farmácia na vila.
Fernando Nogueira contabiliza menos pessoas no seu restaurante mas garante que não é só deste ano. "A crise já se arrasta há alguns anos", frisou.
O empresário diz ainda que os clientes também escolhem cada vez menos entradas, aperitivos ou sobremesas.
"Há pessoas que para manterem as aparências nos perguntam o que temos para sobremesa e até podemos ter 10 coisas diferentes, mas depois dizem que lhes apetecia o que não temos disponível", referiu.
De portas abertas há 40 anos, Israel Alves, 78 anos, diz que o "pior é passar dias e dias sem fazer nada".
O proprietário deste estabelecimento apenas espera que as fazendas, as linhas ou meias que ainda ocupam as velhas prateleiras de madeira se vendam. "Comprar mais não vale a pena se não se vende", sublinhou.
Mais à frente, num salão de cabeleireiro atendem-se algumas clientes, menos nesta época do ano, mas a esteticista Catarina Pereira que todos os dias têm pessoas a entrar pela porta.


